Onde todos podem uivar o que quiserem... vejam por mim!

16
Set 04

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O pavilhão Atlântico estava repleto. As luzes ainda acesas davam conta da euforia que se vivia. Cada minuto custava a passar mais que o anterior, até que poucos segundos depois das dez da noite a escuridão envolveu as mais de 17 mil pessoas presentes naquela sala.


Dois gigantescos écrans mostravam que Madonna estava "em casa"! Como fundo, para além de centenas de gritos histéricos, The Beast Within fazia-se ouvir. A excitação era completa E quando os primeiros acordes de Vogue se fizeram ouvir, a sala enlouquecia por completo. A presença de Madonna tornou claro uma coisa: ela é mesmo a rainha incontestável da Pop.


Um cenário simples e de um gosto particularmente brilhante, faziam sobressair os figurinos dos bailarinos que rodeavam a cantora que com uma voz mais límpida do que foi possível ouvir em Drowned World Tour dava início ás hostilidades. O público ficou rendido ao primeiro segundo e foram poucas as vezes que não cantou ao lado da artista nuam forma invejável. Seguiu-se Nobody Knows Me e Frozen de uma só enfiada. Não há aqui tempo para improvisos, ou para muitos dedos de conversa. Afinal isto não é um concerto... é um espectáculo!


A primeira pausa dá-se durante a primeira troca de roupa. Quando regressa, Madonna é uma militar. American Life o tema. As imagens que são mostradas nos múltiplos écrans são a mostra que há muito que o povo americano também está contra Bush (ou assim devia estar). É tempo também de mostrar mais uma parafernália. Uma passadeira que se estende por cima do público até quase meio do pavilhão. Mesmo quem estava lá mais atrás pode ver aquela por quem tinha esperado, como muito disseram (e eu também) 20 anos!


Express Yourself fez explodir a sala que só se aquietou quando Esther supreendeu a sala e trouxe o velhinho Burning Up até ao palco, numa versão cheia de garra e muita, mas mesmo muita guitarra. Quem se havia calado logo alguns minutos depois soltava a voz quando a artista pediu: "acompanhem-me nesta música da qual estou sempre a esquecer-me da letra". Material Girl não estava esquecido de ninguém.


Hanky Panky e Deeper and Deeper são tocados em género boulevard para abrirem as portas para Die Another Day e para a tão chocante cena da cadeira eléctrica. Madonna mostra o quão em forma está. Se é que havia alguém que ainda não tivesse reparado. Ela canta e dança e não falha uma nota. Nothing Fails, Like a Prayer e Mother and Father brilham na escuridão.


Imagine, abre portas a um coro de vozes do público e os olhos a imagens deveras chocantes. E depois é tempo de acabar. Into the Groove, Papa Don't Preach e Crazy For You vem quase de uma flechada só. O auge é atingido no terceiro tema com cantora a deixar pela primeira vez em toda a tourné emocionar-se de verdade. O público delira. As lágrimas da artista são absorvidas como se ela dissesse: obrigado por terem vindo!


Mas não há tempo para muito mais emoções. Chegou a hora da despedida em ritmo de festa com Music e depois Holiday. E mesmo quando a artista desaparece, depois de mais uma vez agradecer ao público, músicos, bailarinos e afins, há quem peça por mais. Muito mais. Mesmo sabendo que aqui não há tempo para encores. Está esgotado. Agora para o rever só em DVD ou na memória. No fim a conlusão é óbvia. Mesmo aos 46 anos, Madonna é ainda um gigante que esmaga as pequenas formigas Britney, Beyonce e afins apenas com o dedo mindinho. E eu fiquei definitivamente sem voz.

publicado por Psyhawk às 23:39

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