Onde todos podem uivar o que quiserem... vejam por mim!

20
Set 07

A foto é antiga. Muito antiga.

Mas representa, em parte, o que queria aqui escrever...

Conhecemo-nos na faculdade. Uma amizade quase louca (ou não fossem estes alguns representantes da famosa Alcateia Louca- não tenho fotos digitais de todos) tomou conta de uma série de pessoas que durante alguns anos, pareciam não saber viver umas sem as outras.

Férias, festas, dias bons, dias maus, idas à praia, confissões de amor, simples idiotices. Era assim que viviamos, dia a pós dia, e sem usar o telemóvel, porque afinal, nem sequer fazia parte de nós.

O tempo desgastou esta amizade, mas ontem enquanto doente- sim estou com gripe- e arrumava umas coisas aqui em casa, fui parar a uma gaveta na qual há muito não mexia.

Tirei tudo cá para fora.

 

No interior vivem memórias. Postais, cartões de natal, desejos de boas férias, e cartas, dezenas e dezenas de cartas. Afinal, sem internet, mail, messanger e outras habilidades que tal- lembram-se dos bips! LOL- era assim que se comunicava. Mas o melhor destas cartas é que eram entregues em mão. Não seguiam a habitual viagem do correio e do carteiro, mas apenas mudavam de mão.

Um grupo coeso, que se via diariamente, mesmo quando as aulas há muito tinham acabado, trocava pensamentos através de cartas, por vezes diárias! Ali viviam confissões, revelações, desejos , falava-se de amor, ódios... eram páginas e páginas a fio. Por vezes chegaram a ser mais de 40...compêndios, de quem falava de tudo e de nada, sem nenhuma razão especial para o fazer.

Li algumas por alto.

Ri-me com as parvoices que por ali viajavam. Os medos, os desejos, as malditas frequências, os amores não correspondidos, as cargas das canetas que mudavam á velocidade da luz para dar mais cor ao papel, ...e também com as trocas de ideias, as moedas para a fabulosa viagem ao Havai que nunca se realizou, as cores das cartas, as partidas, as loucuras...

Durante 3 horas divertir-me entre papeis que pretendia deitar fora. Confesso que o ia fazer, mas depois de estar ali aquele tempo não tive coragem. Guardei tudo solenemente na mesma gaveta, coloquei plásticos e elásticos. Mais que preciosas são agora memórias brilhantes de um tempo em que a vida, era, tal e qual a Beverlly Hills (pelo menos era o que eu achava e reforçava em todas as cartas que enviava)

publicado por Psyhawk às 20:19

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