Onde todos podem uivar o que quiserem... vejam por mim!

29
Abr 05
Sempre fui um bocado maldizente do filmes portugueses. Ás vezes nem sequer os tinha visto e já tinha na ponta da língua a frase: deve ser uma merda. Mas o pior, é que à medida que o tempo foi passando e me fui inteirando de algumas dessas películas, tão aclamadas pela crítica nacional, não mudei nem um milimetro aquela frase que para muitos, intelectuais de esquerda é uma blasfémia.

Mas há uma razão simples para isso. É que o cinema português não chegou ainda ao fim do século XX. Continua a ser de autor, com uma história para duas ou três pessoas- de preferência amigos do realizador- , chato , de longos e demorados planos, muitos deles aboslutamente desnecessários, no qual o maior especialista é o sempre aclamado Manoel de Oliveira, sem uma história propriamente dita e sem o mínimo de acção- e não estou a falar de explosões, mas sim de acontecerem coisas.

Além disso os argumentos, regra geral são de uma péssima capacidade imaginativa, o som é quase inaudível e continuam a fazer-se diálogos em que as pessoas esperam umas pelas outras para falarem e entre cada fala há pelo menos 3 a 5 segundos de silêncio. Há também, sempre, o nú gratuito que tem como ex-libris o filme Tentação. A pessoas não precisa estar ali nua sem mais nem quê para quê- embora por vezes, confesso, ajude a aliviar o espírito de um tão mau argumento-... convém haver um contexto para despir alguém não?

Não percebo porque é que não se faz ainda cinema para as massas? Porque não? Não são elas que dão depois o dinheiro final ao autor? Fazer filmes para serem exibidos durante uma semana numa única sala de cinema escura e feia não dá de certeza lucro.
Porque não fazer uma coisa mais comercial, com um bom argumento e uma ideia gira.
Um Tiro no Escuro, quase que conseguia essa proeza. Simples, fácil de perceber, estruturado- embora não perfeito, e com uma história para contar. É verdade que o som continua a ser de fugir, mas pelo menos não tinhamos planos desnecessártios de coisas sem interesse só porque o realizador tinha achado giro ver uma menina estendida na areia por 5 minutos- os Mutantes de Teresa Vila Verde- ou 15 minutos de um barco a passar- Camilo Castelo Branco de Manoel Oliveira.

Será que é desta que aprendemos a fazer películas para as pessoas verem?
Eu sei que nunca vamos poder fazer um gigante, daqueles cheios de acção, efeitos especiais- que ainda são vistos em Portugal como uma maldição- e com uma história candidata a Oscar de melhor argumento, mas já agradecia cinema que entretivesse e que não obrigasse mais de meia sala a bocejar, outra a dormir e umas quantas pessoasa sair do cinema porque simplesmente não querem morrer na pasmaceira!

Não tem argumentos?
Já pegaram nos livros de Francisco Salgueiro? Não? Enão estão á espera de que?
publicado por Psyhawk às 11:08

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