Onde todos podem uivar o que quiserem... vejam por mim!

26
Set 07

Os anos setenta e oitenta trouxeram-lhe fama e turistas. As muitas praias, de água morna e areais enormes pareciam pequenos imans para os lisboetas que aproveitavam aquele espaço, tão perto de casa, para fugirem por umas horas às rotinas a que se tinham habituado.

Claro que a fama trouxe os primeiros problemas.

Começaram a florescer parques de campismo de reduzidas condições, amontoados uns em cima dos outros... depois surgiram as casas clandestinas, as barracas de vendas e uma série de outras coisas que desfiguraram a bela vila piscatória.

Felizmente os anos noventa exterminaram alguns dos problemas que cresciam a olhos vistos. A costa foi reordenada, acabaram-se as barracas, as casas clandestinas, apareceram bares de praia, espaços de lazer...embora os malditos parques lá continuassem.

Infelizmente o reordenamento foi caótico.

Nos anos seguintes viu-se o mar reconquistar muito do terreno perdido para as praias- por falta de manutenção. Depois, a vila que anteriormente era principalmente de pescadores e de gente da terra, começou a ser tomada de assalto por brasileiros, que procuravam naqueles paragens um local semelhante ao de casa.  Em pouco tempo a vila descaracterizou-se. Passou a ser a maior colónia brasileira com tudo de bom, mas principalmente com tudo o de mau que tem. As cores verde e amarelo tornaram-se as rainhas, o sotaque simpático dos pescadores tornou-se cantado e chato, a simpatia virou a chata da paquera...

Sem poder expulsar brasileiros, mas com vontade de mudar a Costa da Caparica (não conseigo escrever de Caparica, pois acho que soa mal apesar de saber que não há nenhum da no nome desta vila), a câmara de Almada resolveu dar-lhe novo abanão. Porém fê-lo de forma caótica.

Proliferam agora as barracas, as redes de construções inacabadas, os barcos perdidos em areais, o caos e a confusão, numa vila que nunca foi magnífica, mas que nunca mais voltará a brilhar. Os restaurante, poucos que por ali sobreviviam à custa da fama ganha nos anos oitenta desapareceram dando lugar a comes e bebes de segunda categoria. Até o maldito Barbas ficou com má fama.

E as praias...ai as prais... as da linha da vila desapareceram. Tornaram-se apenas paraíso para quem procura ondas, nas praias, que hoje já nem areia comportam. Outrora local de romaria de famílias, hoje apenas são visitadas pelos malucos das pranchas de surf, que encontram ali espaço para as suas habilidades...

Resta sonhar que a Costa um dia volte a ganhar algum do brilho que teve no passado. Mas esse sonho está looooooooooooooooooooooooooooooonge

publicado por Psyhawk às 14:14

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