Onde todos podem uivar o que quiserem... vejam por mim!

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Ago 05

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Não posso deixar de fazer uma viagem no tempo para falar do novo disco dos Anjos. Dos Anjos perguntam? Isso mesmo...e há uma razão para isso. Vamos lá então a um bocadinho de história. Pode ser...eu prometo não ser excessivamente chato...


O ano de 1998 foi crucial para um pais que sempre viveu musicalmente no passado.


O fenómeno das boysband - quer se goste ou não- explodia graças aos kitch Excesso, e a pérola, Eu Sou Aquele, que fica para os anais da história como a primeira canção teen pop portuguesa. Seja como for...um fenómeno que trouxe ao mundo uma série de bandas ridículas, quase risiveis de tão más e tão sem jeito que eram que tentavam agarrar aquilo que os outros haviam conseguido com um single apenas... porque o álbum...oh senhores, o album era de simplesmente fugir para bem longe! D'Arrasar, Milénio, Valentinos, são apenas alguns dos nomes que me passam actualmente pela cabeça quando se fala deste fenómeno em português. Mas houve mais! Muitos mais! Nomes e nomes sem conta. Até que na televisão surgiram dois rapazitos, ainda mal acabados de sair do final da puberdade que se intitulavam de Anjos. Ficarei era a primeira amostra do que queriam cantar ao mundo... e sem querer a primeira pedra para uma carreira que para já se mostra longa, proveitosa e lucrativa.


 Canções pop, que não se levavam a sério, cantadas com vozes fortes, capazes de algumas tropelias pouco usuais neste tipo de bandas, davam cor a músicas simples e doces, como Perdoa, Noite ao Luar e Quero Voltar. O primeiro disco, podia não ser perfeito, e estar cheio de fill ins, mas estava dado o toque de marcha que rapidamente eclipsou todas as outras banduchas que ou desapareceram no infinito das más canções, ou foram esquecidos -para nossa eterna felicidade- simplesmente porque nunca tiveram a capacidade de vingar! 


A  fórmula, arranjada mais uma vez pela NZ produções, era perfeita!


Os concertos esgotavam, e quando o segundo longa duração chegou aos escaparates das lojas, desapareceu como por magia tal era o sucesso da banda. Mais uma vez a fórmula era respeitada. Os videos, tornaram-se mais arrojados- a segunda versão de Perdoa regista-se como um dos videos mais boys band de sempre-  e apesar de em entrevistas rejeitarem por completo serem a típica bandita de rapazes, seguiam a fórmula, como no estrangeiro os Backstreet Boys ou os N-Sync faziam. A escala era menor... mas a forma de agarrar a fama e o público era a mesma.


 Quem ouvir, Tudo é um Sonho verá que se esta não é uma boa canção pop, então tem muito que aprender.


Mas as rosas foram e os espinhos ficaram.


Querer crescer é bonito, mas nem sempre resulta na perfeição.


Querendo demarcar-se dos primeiros passos dados entre 1998 e 2001, Espelho pôs os Anjos à guitarra. Uma tarefa quase bem conseguida, não fosse ter-se perdido a expontaniedade das canções... que é o que volta a faltar a este Alma,  o quarto disco de originais dos irmãos Rosado! Falta-lhe isso mesmo...alma! Não estou aqui a dizer que o longa duração não está bem feito. Longe de mim dizer isso porque nota-se ao primeiro acorde que estas canções foram pensadas ao pormenor. Realmente os senhores foram-se aperfeiçoando com o tempo, e até souberam seguir as tendências da moda, mas falta aqui qualquer coisa. Aquele pozinho especial que transforma um disco de razoável em perfeito.


É verdade que continua a haver espaço para os singles que ficcam no ouvido, como Escolher Viver e Perdi Parte de Mim... mas há aqui qualquer coisa que não resulta como antigamente. Há demasiado Bon-Jovi. É isso que se retem quando se houve o disco. Que há demasiado rock n'roll e arrisca-se pouco em outros territórios, preferindo-se a segurança de uma guitarra já velha e usada a algo mais diferente e quem sabe, mais electrónico. Parece que não se quis fugir das rádios FM. Sim, porque estas que inicialmente, lá no anos de 1998 lhes chamaram pimba, dois anos depois preferiram dar-lhes o cognome de mel...pois era isso que eles eram para os milhares de ouvintes anónimos, que compravam discos em massa sem se identificarem: mel... e esses anónimos ficavam à espera no carro ou em casa que a canção que tanto gostavam passasse, mesmo quando depois aos amigos não reconheciam ter apreciado uma banda assim... mas voltando á vaca fria...Alma prefere a segurança da rádio FM, a uma fuga para a vitória em outros territórios... Parece que os Anjos apenas fizeram aquilo que os americanos costumam dizer Going Trough the Motions... fizeram aquilo que sabem, mas para não perder fãs não se deixaram ir mais além.


Por isso a este disco faltam aqueles elementos que sempre foram especiais para esta banda:  alegria verdadeira... o sentido kitch e de não se levarem muito a sério, algo que se notava no primeiro e no segundo disco. E claro a última canção em português, Abre a Mão é mesmo um atentando.


Eu, acreditem ou não sempre defendi esta banda com unhas e dentes. Mas este disco, quer se queira, quer não é uma desilusão. Não porque não seja bem feito, mas está...só que demais! E tudo o que amadurece muito depressa acaba por estragar-se...


É uma pena...


Mas pelo menos, os apreciadores de pop fm vão poder deliciar-se... 

publicado por Psyhawk às 00:49

1 comentário:
Pop Fm? mudaram para um estilo mais Pop Rock... como podes dizer que é POP FM se nem sequer passam nas rádios nacionais?
Ana a 4 de Março de 2008 às 22:52

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